| Resumo: | Entender os principais fatores que contribuem para o insucesso educacional
nas trajetórias escolares é fundamental para a promoção de uma educação
emancipatória, redutora de desigualdades sociais e promotora de oportunidades.
Este tema é de extrema importância para o Brasil, visto que o país possui uma das
maiores taxas de reprovação e abandono escolar do mundo, sobretudo no primeiro
ano do ensino médio, conforme ranking OCDE de 2018 e levantamentos realizados
no país. Fatores determinantes para o insucesso educacional e para a manutenção
de desigualdade de oportunidades educacionais podem ser variados, englobando
questões (1) socioeconômicas, (2) questões de background (capital cultural) familiar
e (3) questões institucionais e pedagógicas, em nível local. Realizamos aqui um
estudo de caso, com o objetivo de identificar os principais determinantes de
insucesso educacional em uma instituição de ensino brasileira que oferece ensino
profissional (vocacional) associado ao ensino médio. Para isso, realizámos
entrevistas semiestruturadas a alunos/as aprovados e reprovados no primeiro ano do
ensino médio nessa instituição. Os resultados apontam que, de todos os fatores de
reprovação, (1) socioeconômicos e (3) escolares/institucionais são os que mais
influenciaram as trajetórias dos estudantes no estudo de caso. De entre os
entrevistados, não houve casos de aprovação em famílias com renda familiar muito
baixa (entre 2 mil e 3 mil reais) e não houve casos de reprovação em famílias com
renda familiar mais alta (acima de 5 mil reais). A renda familiar ainda influenciou a
decisão dos pais sobre o pagamento de reforço escolar e sobre o prosseguimento de
estudos (ensino superior). Em termos escolares/institucionais, todos os alunos
relataram dificuldades de gerenciamento do tempo por conta do volume de matérias
e conteúdos das escolas politécnicas. Relataram problemas de excesso de conteúdo
e relataram ser dificil estar nos atendimentos a alunos com dificuldade, por estes se
concentrarem apenas em dois dias na semana. Como proposta de intervenção, são
sugeridos um melhor acompanhamento dos alunos com menor poder aquisitivo e
mais ações em sala-de-aula para o desenvolvimento e consecução de atividades,
propiciando mais tempo fora de sala-de-aula para estudo e plantões de dúvidas. |